“Você quer mais arroz?” A importância de viver cada momento

arroz

Estava em um momento de meditação da Bíblia quando o ministrante falava às família presentes. Ele disse: Você precisa perguntar se alguém quer mais arroz! Não entendi, mas a história que começou a explicar clareou minhas ideias. Rapidamente olhei para o lado e disse a um amigo que essa frase iria virar um texto.

O ministrante empolgado detalhou a história e eu o ajudei com minha imaginação: Havia uma senhora que muito trabalhou para sustentar seu filho. Trabalhava dois turnos além de ser a responsável pela organização do lar, educação e desenvolvimento da criança. Seu dia era muito cansativo, mas havia um momento muito aguardado e, por isso, especial: o almoço. Quando o relógio cruzava o ponteiro e ajustava a hora da principal refeição diurna, o coração daquela mãe se tornava mais agitado do que o primeiro dia de alguém no novo trabalho, mais acelerado do que se fosse o encontro romântico com o par devidamente escolhido. Estamos falando do momento em que a mãe e o seu filho poderiam se sentar e estarem a dois.

Poucos momentos se igualam em importância ao horário das refeições. Não entendo como as equipes nas empresas conseguem passar a manhã com seus afazeres corridos e continuarem o assunto no almoço no restaurante da organização. Não entendo como pessoas saem de seus trabalhos para almoçar em suas casas e levam toda a carga de estresse colocando à mesa junto com o feijão, a salada e a sobremesa. Não entendo como não conseguimos separar e diferenciar os momentos. Mas isso não era um problema para aquela mãe. Ela sabia dividir com grande exatidão. O almoço era mais que um momento, era um lugar. Um espaço determinado no tempo para estarem juntos aqueles que se desejam e os que tem interesse.

Quando o almoço começava, aquela mãe desejava que tudo fosse lento e a luta era grande contra o relógio. Ao estar no ponto de ônibus, ela deseja que o transporte passasse rápido. Quando precisava, desejava que o computador não demorasse a ligar para que pudesse realizar suas atividades, que o freezer congelasse rapidamente a torta de limão, mas tudo o que não desejava era que o horário do almoço fosse passado. Na verdade, ela desejava eternizar cada minuto daquele horário divino. Sabemos disso porque sempre que o filho terminava o alimento, ela perguntava: você quer mais arroz? como opção de continuar a tê-lo por perto.

O filho era esperto. Quando criança, sem perceber o sadio interesse de sua matriarca, sempre repetia o prato e a mãe ganhava mais um tempinho com o seu querido. Mas ao crescer, o filho ganhou a agitação da vida. Aprendeu a ser apressado, a não saber esperar e confundiu sucesso com má qualidade de vida. Confundiu as conquistas necessárias com superficialidades que exigem uma carga extra de trabalho. Confundiu ser ágil com ser suado. Confundiu valor com preço. Confundiu salário com vida. Desde então, ele não acreditava mais ser necessário almoçar. A necessidade de lanches rápidos ou até mesmo aqueles feitos em finos restaurantes substituíram a companhia do almoço.

Um amigo, pai de dois filhos adultos, me revelou com ar de angustia um grande segredo: sua geração perdeu o habito de almoçar com a família. Segundo ele, as refeições, por mais que acompanhadas dos seus, se tornaram tão rápidas que quando um se senta o outro já está se levantando. Apressados com o dia a dia, agitados com o trabalho, preocupados com a faculdade, deixamos o lar para quando tivermos oportunidade.

Precisamos de uma agenda que priorize os nossos: os de casa. A lógica de alguns líderes no mercado de trabalho é desafiadora e instigante, mas é desleal, sugadora e unilateral. Mas ainda há bons líderes. Esses são pessoas que promovem seus trabalhadores para o bem estar familiar. Não faz tempo, mas já temos empresas que apostas na maior eficiência de seus empregados, pois sabem que são pessoas envolvidas com suas famílias. Colaboradores felizes em casa são pessoas com maior propensão a favorecer seus empregadores com maiores resultados. Mas é claro que a depender de onde trabalhamos não conseguiremos almoçar com a família. Nas grandes cidades, isso é uma missão quase impossível. Porém, é necessário que os dias de folga sejam dias para se estar com os familiares. Enquanto isso, desejo que seu almoço na empresa ou no restaurante com os amigos tenham assuntos variados e que nenhum deles seja o trabalho que logo voltará a exercer. É preciso aprender a almoçar.

Que tal repetir mais vezes a pergunta daquela mãe para nossos familiares e amigos:
Raiane, você quer mais arroz?
Júnior, você quer mais arroz?
Rodrigo, Manassés, Naama, Thiago, Jonatas, Jackson, Freire, vocês querem mais arroz?

Desejo que você tenha ótimos almoços.

7 comentários em ““Você quer mais arroz?” A importância de viver cada momento

  1. Adorei!!! É isso mesmo! Fui criada com almoço e janta na mesa, família sempre reunida, momento de conversas e risadas. Até hoje é assim… farei o mesmo pelo meu filho… muito arroz pra nós!!!

  2. Ahh, como foi bom ler este texto!
    Também foi muito bom te ver (em foto no Facebook) e sentir aquele carinho que acho que todo mudo que te conhece sente por você! Um abraço Gil, Deus te abençoe.

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