Em nossa casa, há um casal que sempre sonhou com tudo no lugar: almofadas alinhadas, chão brilhando, brinquedos guardados, silêncio e ordem. Um ambiente quase intocado, digno de capa de revista.
Mas essa casa também é morada de duas crianças pequenas, com menos de oito anos, que vivem o tempo da descoberta, da experimentação, do movimento. Ainda estão aprendendo — e aprender leva tempo.

O desejo constante por uma casa perfeita se chocava com a realidade de um lar habitado por seres em formação. Cada objeto fora do lugar gerava reações duras, agressões verbais e insultos que ignoravam uma verdade simples: crianças não nascem sabendo. Precisam de paciência, de repetição, de exemplos, de escuta. Precisam de um ambiente onde errar não seja sinônimo de fracasso ou desobediência, mas parte natural do processo.
Uma casa impecável, onde nada se move, talvez funcione para quem não vive. Mas onde há vida, há marcas, rastros, imperfeições. E isso não significa desordem — significa existência. Não se propõe o caos, mas uma organização que acolha o tempo do aprender, que compreenda que crescer envolve bagunçar um pouco antes de saber arrumar.
Crianças que mexem nas coisas não são rebeldes. São exploradoras. Estão tentando entender o mundo através da ação. Cabe aos adultos guiar, sim, mas com empatia. A ordem verdadeira não está apenas nas gavetas fechadas, mas na construção de vínculos, na escuta, no respeito ao tempo do outro.
Porque nesta casa moram pessoas. E algumas delas ainda estão aprendendo a viver.
É bem assim! O explorar é pressuposto da aprendizagem e inteligência. Está imbricado com os processos criativos e não combinam com a apatia.