A parábola das mangueiras

No quintal da escola há uma grande mangueira.

Todo ano, entre os meses mais quentes, ela fica carregada de mangas, e é só questão de tempo para as crianças se reunirem embaixo dela. Cada uma, à sua maneira, tenta alcançar as frutas mais altas: usam pedaços de pau, varas improvisadas e muita criatividade. A maioria erra o alvo, acerta galhos e folhas, mas, com paciência e alegria, acabam conseguindo seu prêmio doce e suculento.

Quem observa de fora pode pensar que é bagunça, desperdício ou falta de método. Mas quem está lá embaixo da mangueira, com os pés no chão e olhos nas frutas, vê outra coisa: vê a festa, o desafio e a comunhão. Vê sentido naquilo tudo. Há até aprendizado que, talvez, não seja vislumbrando de forma organizada em um primeiro momento, mas o fato é que, com o tempo, esses cenários são compreendidos como passos importantes para o crescimento.

Porém, certa vez, um professor impaciente com a “bagunça” das crianças tentando pegar mangas, resolveu mostrar como se fazia “do jeito certo”. Trouxe uma vara longa, bem feita, com um gancho na ponta e começou a derrubar as frutas com precisão.

Era rápido, eficiente… mas não havia risadas, nem olhos brilhando. Sem querer, ele tirou das crianças o exercício da tentativa, o esforço da busca e o prazer da descoberta.

Ensinar alguém não é apenas transmitir conteúdo, mas permitir que ele viva o processo. A criança precisa subir em sua realidade, esticar os braços com suas próprias perguntas, sacudir a árvore até que algum conhecimento caia no seu coração. O papel do professor é orientar, proteger, e, sobretudo, permitir que cada um encontre as experiências dentro da sua linguagem e vivência. Evidentemente, monitorados por todos os seus responsáveis.

Jesus ensinava assim. Falava de sementes, pescadores, fermento e ovelhas. Tudo parte do cotidiano de quem o ouvia (Mateus 13). Ele sabia que o ensino só se enraíza quando conversa com a vida de quem escuta.

O saber tirar mangas se aprende com o tempo. As nossas habilidades também precisam da paciência dos envolvidos para que se aprimorem. Às vezes, algumas mangas que caem se machucam no chão e isso nos deixa com a sensação de que poderíamos fazer melhor e, assim, também é na vida. Mas ver o machucado e sentí-lo de alguma forma é importante para desenvolvermos estratégias melhores de “pontaria” no futuro.

Muitas vezes, o nosso desejo de tornar tudo mais fácil para os alunos pode não ser o melhor caminho. E isso pode falar mais sobre a agilidade que queremos ter, diante de agendas tão corridas, do que do desejo de torná-los autônomos.

Na Escola Bíblica Dominical, ensinar a partir da realidade dos alunos é reconhecer que cada um já tem uma mangueira no seu quintal cheia de histórias, dificuldades, cultura e percepções. Tentar impor uma vara estrangeira, com métodos “melhores” e “mais certos”, pode até parecer eficiente, mas pode também roubar o processo vivo e transformador que o Espírito Santo deseja realizar.

Devemos ensinar como Jesus ensinou: com paciência, com histórias e com sensibilidade ao tempo e à realidade de cada um. E se há mangas caindo, mesmo com pedras e paus, é sinal de que o evangelho está sendo alcançado do jeito deles, em um tempo necessário para o seu processo de compreensão da vida, monitorado pelos seus familiares e pelos terceiros que se importam, e o mais importante: com a presença da graça de Deus.

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