Na maior parte das vezes, as guerras recebem o nome do lugar onde elas ocorrem fisicamente. Mas esta não é a única forma de nominar esses episódios.
Ouvi certa vez sobre um diálogo com um vietnamita que indagado sobre a Guerra “do Vietnã”, havia afirmado não conhecer. Quando foi apresentado a mais detalhes sobre o que se falava, o vietnamita disse que, na verdade, conhecia tudo aquilo, mas o nome não era Guerra do Vietnã, mas Guerra dos Estados Unidos.
Assim, o nome desses acontecimentos depende também de quem está falando, de como fomos ensinados e não corresponde unicamente ao lugar onde ocorre, mas a quem, se julga, ter começado o movimento.

A urgência atual entre Rússia e Ucrânia está recebendo o nome de Guerra na Ucrânia ao invés de “da Ucrânia”. Aparentemente, os meios de comunicação perceberam o erro de suas construções gramaticais ao longo da história. Mas ainda não é suficiente.
Ter o nome retratado em uma expressão que será registrada na história da humanidade, acaba, de alguma forma, responsabilizando aquele lugar pelo ocorrido.
Deixe-me explicar: Quando o nome de alguém ou de algo figura na expressão, ele torna-se o principal, assim o outro que está envolvido é colocado em segundo plano ou até mesmo esquecido. Talvez não nos primeiros anos, mas aumenta-se a chance disso acontecer ao passar dos tempos.
A ler sobre a Guerra do Afeganistão nossa imaginação nos leva ao país afegão. Mas e ou outros envolvidos?
Daqui a 10 anos, quando falarmos na intitulada Guerra da ou na Ucrânia, onde estará a Rússia na nossa memória? Por que este momento não poderia ser chamado de Guerra da Rússia já que a maior parte das nações e das instituições de ordem paralela mundiais, como ONU e OCDE, por exemplo, a responsabiliza pelo início do tom bélico?
Me preocupo com a responsabilidade dos vietnamitas em carregar o peso de uma guerra que foi alimentada por terceiros, assim como os sírios, os afegãos, tantos outros e, agora, os ucranianos.
Parece justo nominar as guerras com o nome de seus arquitetos. Não é assim que funciona quando na assinatura dos quadros pelos seus artistas? Não são os idealizadores que são citados nas placas quando na inauguração das obras públicas? Assim deveria ser nas guerras: os nomes de seus organizadores deveriam constar no título da sua obra. Só assim, eles jamais seriam esquecidos.