Está chovendo

Foi porque choveu que ele não saiu e não saindo nem encontrou o seu grande amor que estava tomando banho a céu aberto.

andando na chuva

Eles se encontrariam no sinal da Rua Potengi com a Prudente de Moraes e caminhariam lado a lado até chegarem na famosa praça onde ele deixaria cair seu caderno que carregaria por baixo da camisa para não molhar. Ela se abaixaria ao meu tempo que ele e como história de conto de fada, se olhariam de forma diferente.

Ambos estariam saindo do trabalho e iriam aguardar o ônibus. Na parada, aguardavam conduções diferentes, razão pela qual nunca trocaram conversas nem sequer se notaram nos anos anteriores nos quais diariamente faziam o mesmo trajeto.

Conversariam agora. O ônibus dele chegaria primeiro e ao olhar o olhar dela, decidiria não ir. A convidaria para um café artesanal mais a frente. Sem se importar com a água que se acumulava nas ruas, ela aceitaria porque sabia que as chuvas de junho são costumeiras, mas ressaltaria que não poderia demorar mais do que 1 hora. Ele concordaria. Molhados, ao chegarem, iriam aos banheiros para se enxugarem um pouco. O garçom olharia o casal com preocupação. Já sentados, pediriam dois cafés tradicionais que, sem demora, viriam acompanhados de alguns biscoitos. Olhando a chuva, trocariam interesses, risadas e os contatos telefônicos.

Logo no dia seguinte, ao encerrar o expediente, um iria aguardar pelo outro para irem sempre juntos. Assuntos se aprofundariam, encontros aconteceriam e os projetos passariam a ser pensados em par. Iriam ser mais do que dois. Passariam a ser um só.

Mas tudo isso não aconteceu porque foi dito pra ele que quando se está chovendo não devemos sair de casa. E ele, acreditando, não foi trabalhar nesse dia.

Hoje, quem for aquele lugar ver o trágico final dessa história: ambos estão diariamente na parada de ônibus sem se notarem.

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