Defendo a liberdade do pensamento diferente do meu. Defendo o direito de ele ser o que desejar, mesmo que eu continue a acreditar que, em alguns casos, aquele pensar não seja uma boa opção. Luto ainda para que ele também tenha a garantia de continuar a acreditar que sou eu o que estou no rumo equivocado! Que sejamos dois certos e ao mesmo tempo dois errados, mas cada qual convicto do que escolheu ouvir, cantar e acreditar.
Debaixo do sol, respeitosamente, desejo que o que pensa diferente de mim continue sua jornada de convencer o mundo de suas ideias. Que, respeitosamente, eu também continue encontrando espaços para minha livre jornada de convencer o mundo de meu pensar.
É possível que nunca entremos em um consenso sobre quais são as melhores escolhas da vida, mas seremos felizes pelo mundo maduro e respeitoso que estamos tentando criar. Nesse contexto, nos encontraremos para um bate papo no café da esquina e daremos muitas risadas da chuva, dos passarinhos, da correria da vida. Ainda será possível chorarmos juntos pelas dificuldades de nossos dias e orientarmos um ao outro. Depois, abastecidos de respeito, sairemos para continuar a propagar nossos panfletos.

Que nada seja pela força nem pela violência, nem pela usurpação do direito de livre expressão. Que a justiça não se cale, caso isso aconteça e ambos os diferentes (o outro e eu) sejam tranquilizados no grito de defesa uníssono pelo direito de todos.
Definitivamente, debaixo do sol não precisamos de gritos, quebradeira, músicas que fazem apologia à delinquência, gestos ofensivos, desrespeito ao patrimônio público e invasão ao espaço privado. Precisamos é de civilização, e esta é, necessariamente, gentil e delicada, por isso é forte. É dessa força social que às vezes sinto falta na nossa sociedade.
Se incluirmos o respeito em todos os processos, as chances de acontecerem equívocos serão menores. Que haja verdade debaixo do sol. Parece básico. E, de fato, é! A verdade e o respeito são soluções para esse mundo e seus sistemas. Nós que complicamos com a mentira e falta de atenção aos espaços dos demais.
Enquanto vivermos debaixo do sol, eu quero pisar em um lugar no qual você tenha o direito de falar. Espero que no seu mundo de direitos, você me permita falar também.
Como tolerar o intolerante? Como dar voz aos caçadores de voz? Como esperar pelo que é urgente?
Como seguir regras que não são neutras, são sancionadas para favorecer a injustiça?