O nome dela é MaDu

Para os distantes, Maria Eduarda. Reduzir o seu nome em duas sílabas é para os que são mais próximos e conhecedores dos seus dias. Os íntimos a chamam MaDu. Mas isso é para quem sabe qual o número do ônibus que a leva todos os dias para a faculdade, para quem conhece sua cor e comida favoritas, para quem faz par no cinema mesmo sem bons filmes, para quem ver suas várias faces em dias diferentes, seu cabelo com e sem fixador e conhece sua agenda.

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A construção dos nomes carinhosos é um pouco conturbada e explico as razões em passos:

  1. Envolve os dois: É preciso se esforçar em conhecer a pessoa. Isso pode levar dias, semanas ou meses para garantir confiança e relações interpessoais mais profundas;
  2. Envolve você: É preciso que você se acostume ao “novo nome” para que se faça sentido; E o passo seguinte, depois do seu esforço, é o mais importante:
  3. Envolve a outra pessoa: O apelido carinhoso precisa passar pelo processo de aceitação da outra pessoa. Caso não seja validado, a tentativa poderá ser arquivada nos anais da sua memória.

Quando todo o esforço é aceito pelos envolvidos, as ligações telefônicas, mensagens SMS e demais formas de contato se tornam mais afetuosas. Quer saber se você possui essas características para com alguém? Então pare essa leitura e passeie pela sua agenda de contatos do celular. Nesse lugar, pela forma com a qual se escreve os nomes, é possível perceber quem é de perto e quem é de longe. Aproveite para saber como está escrito o seu nome na agenda das outras pessoas. A demora de todo o processo que gera intimidade não é para todos. Mas é para muitos. Apesar do tempo exigido, dizem que os resultados são satisfatórios.

A forma como nos identificamos nos laços de amizades falam muito e por isso falamos diferentemente com cada pessoa. Isso acontece porque encaramos as relações como únicas, apesar de tratarmos as pessoas de forma generalizada muitas vezes. Os dias atuais favorecem a desconstrução de como percebemos as pessoas. Na correria dos dias, fazemos a opção pela generalização nos e-mails, nas mensagens do WhatsApp, nos convites do Facebook, nos cartões de presente e no desejo de feliz Ano Novo, Natal e Dia das Crianças. As empresas tem nos ajudado a ser gerais, afastando a especificidade das relações. Claro que há exceções, mas elas são rios. A generalização, hoje, é um mar aberto.

As ferramentas de comunicação nos ajudam a criar grupos para favorecer o nosso tempo, mas em contraponto nos tornamos mais diretos e menos personalizados em nossas relações. É nesse contexto que nos tornamos apenas aquele nome da identidade, pois a mera formalidade nos saciará visto que é o máximo que conseguimos fazer, pois o tempo se tornou escasso.

Assim, vamos desconstruindo a intimidade aos poucos e sem perceber, na agitação, é possível que você me pergunte onde está MaDu e eu, irresponsavelmente e já mais perto da rotina generalizadora do que da necessidade do zelo individual, responda: De quem você está falando?

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