Labirintite

São muitos. Há aqui e acolá. Não sou o único a perceber. Os jornais televisivos, escritos e as pessoas especialistas em histórias contam diariamente pelas ruas e calçadas. Provavelmente, eu também esteja sendo afetado. Nem todos utilizam ferramentas modernas de análise, mas todos conseguiram chegar ao mesmo diagnóstico: labirintite.

labirintite

Imagem disponível em https://goo.gl/X00ikn às 16h em dia 26 de dezembro.

Os sintomas são percebidos em todos os continentes. No inventário realizado não se encontraram culpados para apontar e, historicamente, quando não há culpados específicos todos devem assumir sua parcela no pacote. Não estamos bêbados nem empanzinados e há muitos que sempre disseram que chegaríamos nesse estágio. A sociedade está confusa sem saber o que abraçar e desabraçar, o que acolher e não acolher, o que acatar ou desacatar, o que temer e o que não temer. Estamos tontos.

Nem os ocupantes dos cargos que exigem competências mais apuradas conseguem, com precisão, argumentar sobre as causas reais, mas sentem os sintomas. A sociedade, em muitos níveis, tem sentido a necessidade de direcionar muito tempo para compreender a conjuntura atual e, quando parecem ter entendido são surpreendidos com novidades transtornando a conclusão, correndo o risco de prejudicarem as empresas e carreiras.

Ainda há um fato mais grave a ser tratado no nível individual. As pessoas estão confusas. Peça sua opinião e será bombardeado de mil argumentos. Peça a razão desses argumentos e receba uma confusão mental como resposta. A liberdade dada pela internet é favorável à democracia, mas tem permitido posturas sem embasamento por pessoas que acreditam que o repasse da “sua verdade” sem maiores alicerces será suficiente para fortalecer sua fala e mudar algo. A propagação da facilidade nos fez desprezar a construção de alicerces e essa decisão tem interferido no nosso desempenho quando somos convocados à liderança seja na escola ou na organização.

Sabemos que quem sofre de labirinte possuem duas receitas: medicamentos para uso contínuo e outros para uso em crise. Não pela via medicamentosa, mas sugiro que seja algo assim que precisemos: algo para a rotina e algo para quando a crise vier. Sem se dá ao luxo de negar o uso regular nem ter receio de se encontrar com o momento de crise, precisamos ser responsáveis, pois somente os que reconhecem a dificuldade e desejam se ajudar encaram o procedimento que o fará voltar a andar com os dois pés firmes no chão. A flexibilidade e a mistura de elementos que contribuirão para o desenvolvimento sempre serão bem vindas. Porém, se a mistura aconteceu no auge da incoerência de abolir, erradamente, os alicerces, então quais as razões para se entender que a mistura foi satisfatória?

A solução de uso regular não será química, mas analítica. Será preciso refletir sobre as bases fundamentais nas quais nos amparamos e analisar sobre o desejo de continuá-las a seguir; tendo-as por princípios bases novamente. E quando em tempos de crise, será necessário, caso desejemos continuar o mesmo rumo, a ousadia da decisão de separar as misturas. Isso causará dor, mas é o caminho. Em tempos modernos aonde a mistura parece ser proveitosa [e são] caso sejam os elementos errados poderão gerar confusão, incoerência, falta de equilíbrio que levam a labirintite dos dias atuais. O amadurecimento para a decisão de jogar algumas velhacarias fora será primordial. Para superar a tontura atual será necessário se permitir impressionar pela razão primeira novamente, retornar ao primeiro pensamento motivador e analisar se, de tão misturado, ainda sobrou algo para recomeçar. É preciso varrer o que não era valor agregado e, de tanto se impor, virou âncora por motivos políticos, simplesmente, e não por coerência. Para evitar a labirintite social em que vivemos é preciso acabar com a incoerência e isso tem tudo a ver com o fortalecimento das instituições públicas, das empresas privadas e do desenvolvimento da sociedade porque é no amadurecimento individual que o coletivo se fortalece.

É possível que as comidas que se utilizam de uma fonte única não sejam as mais pedidas nos restaurantes, mas não são todas as ideias e princípios que estão dispostos a compor uma feijoada. Que seja a mistura um alvo democrático, desde que seja uma construção pela coerência.

Deixe um comentário