Créditos e débitos

Mais e menos. Forte e fraco. Sul e norte. Pobre e rico. O mundo é feito de grupos. Você está em qual desses, hoje em dia? A expressão temporal não é enchimento de palavras vãs. Pergunto sobre “hoje em dia” porque alteramos a nossa posição nos grupos com o passar do tempo. Ou seja, um dia tenho mais e em outro tenho menos, um dia estou forte e no outro fraco, hoje estou no sul e amanhã poderei estar no norte, estou pobre e poderei ficar rico; ou vice versa para todas as opções.

Essas são apenas algumas das divisões existentes na sociedade, mas existem milhares de outras formas de segmentar as pessoas. Se você pensou em separar a humanidade entre os que fumam e os que não fumam, conseguiu fazer mais uma divisão. Pense em outra. Isso mesmo: vegetarianos e carnívoros é outra forma de separar as pessoas em grupos. E assim a lista se torna imensa. O comportamento de separar grupos não é somente humano. Estudos skinnerianos demonstram que os irracionais se aproximam mais de um do que de outros animais a depender do reforço estipulado, realizando assim mais uma separação. É importante dizer ainda que uma pessoa pode fazer parte de vários grupos ao mesmo tempo sem ser incoerente com o conceito da segmentação, ou seja, a mesma pessoa pode ser forte, morar no norte e ser vegetariano. Ao mesmo tempo é possível ser filho de alguém, tio de outro e primo de outras pessoas.

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Imagem disponível em http://migre.me/vMpWd em 22 de dezembro às 15h30.

Seja qual for o grupo que você se intitule participante ou que alguém o denomine componente será necessário responder a seguinte pergunta: sua contribuição nestes grupos é de crédito ou de débito? Segundo as duas primeiras definições no dicionário Aurélio (2001), crédito é entendido como confiança e boa fama; já débito é dívida, como definição única.

Nos grupos que fazemos parte é preciso que a análise de crédito e débito, que significa a nossa contribuição positiva ou negativa, seja insistentemente trabalhada como fonte de, além de sobrevivência na tribo, de estabilidade emocional quanto ao seu real significado naquele lugar. Ou seja, quando as pessoas conseguem perceber a nossa importância para o lugar desejarão a nossa permanência, porém antes de trabalhar pelo desejo dos demais em nos querer por perto será necessário querermos aquele lugar e estar na posição de, além de receber crédito, poder creditar.

Assim é a vida desde quando tomamos consciência verdadeira daquilo que podemos. Vivemos na linha tênue entre o ser político nas organizações e o ser verdadeiro que decide, muitas vezes, morar em casa. É a modernidade apresentada e consumida, tanto no varejo como no atacado. Seja qual for sua posição frente a esse tema, sua fala sempre deve ser de contribuição, creditando valor ao espaço e fazendo as pessoas entenderem que ganham com sua presença mais do que com sua ausência. Sua empresa, comunidade de fé ou qualquer outro espaço que frequente deve entender que você não debita esperança, fluxos, acordos nem a verdade, mas contribui para fortalecer o cenário seja qual for a adversidade.

Longe da omissão, creditar é opinar com embasamento, sustentar o que diz com propriedade e ser responsável na decisão. Inclusive na decisão sobre seu rumo caso o seu crédito, embasado e consistente, passe a ser entendido como débito pela vida política e superficial de quem consome a correria do mercado como fonte de energia puramente sem agendar o devido tempo ao aprofundamento de suas convicções.

É preciso mudar se necessário for. O mundo dinâmico exige flexibilidade e amadurecimento para suportar os desafios e construir pontes entre as competências, porém o limite da mudança é o seu valor. É preciso que pessoas embasadas discorram sobre suas convicções, levantem as bandeiras de suas causas e creditem valor no mundo superficial e simplório que se insiste em construir. Analise suas relações, estude se sua posição é de crédito ou de débito e, de novo, mude se for preciso, mas não esqueça de que o limite da mudança e da flexibilidade é o seu valor; porque valor não tem preço.

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